Apresentação
A realização de Exercícios Físicos
e Esportivos é positiva para qualquer pessoa. Para os portadores de
necessidades especiais (PNEEs), a prática esportiva é recomendada por
contribuir na reabilitação, sob os aspectos físicos, psíquicos e sociais, os quais
são interdependentes.
Com o desenvolvimento e
aprimoramento da agilidade, coordenação motora e força, atividades do cotidiano
serão realizadas de maneira mais autônoma, com isso, a esfera física e psíquica
estarão sendo beneficiadas, o sujeito sentirá valorização do seu eu e,
consequentemente, melhora na auto-estima, diminuindo a ideia de incapacidade.
Com o tempo a prática de diversas
atividades físicas estão sendo aderidas pelos PNEEs, muitos optam por
dedicar-se a um esporte específico. O voleibol tem sido um dos mais escolhidos,
mesmo se tratando de um esporte complexo.
O esporte e a Educação: aspectos convergentes
Listello (1979), compreende a
prática esportiva é um instrumento educacional, que desenvolve em seus
praticantes competências técnicas, sociais e comunicativas. Tais competências
são necessárias para o desenvolvimento individual e social.
A
educação presente no esporte coopera no desenvolvimento da ação do indivíduo,
principalmente sobre o aspecto social; contribui para as atividades motoras
cotidianas; melhora a saúde e o bem-estar; dá sentido a vida do praticante;
melhora a mobilidade e oportuniza a recreação e o bem-estar estético.
Dentro
do processo educacional os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCNs (BRASIL,
1997), entendem que a Educação Física permite à inclusão, autonomia, cooperação
e diversificação. Com o esporte, os cidadãos são formados conscientes e
participativos, isso porque, dentro de esportes coletivos surgem situações e
problemas que são resolvidos por todos, logo, compreende-se o esporte como um
fenômeno sócio-cultural de caráter educativo.
O
esporte é flexível com seus praticantes, recebe praticantes de qualquer faixa
etária, social, com diferentes objetivos, com deficiência ou não.
A história dos esportes adaptados
Antes do século XX não há relatos
de esportes organizados para PNEEs. Foi com o fim da Segunda Guerra Mundial que
os PNEEs começaram a ser respeitados pela sociedade, isso porque, os amputados
de guerra eram considerados heróis em seus países. Antes disso o deficiente era
um estorvo para a sociedade.
O
Dr. Ludwing Guttmann foi o primeiro a defender o esporte na reabilitação dos
PNEEs, ele organizou programas de reabilitação no Centro de Reabilitação do
Hospital de Stoke Mandeville, em 1944. O trabalho atuou co eficácia na
reabilitação social e psicológica do PNEE. Esse foi o “ponta pé” inicial para o
surgimento das Paraolimpíadas (em Roma, 1960), que acontecem até hoje após os
Jogos Olímpicos. Os primeiros Jogos Panamericanos para Paraplégicos aconteceu
em 1967.
A
participação dos PNEEs nos esportes e jogos adaptados possibilita a eles:
amplos benefícios da prática regular, desafia-os a testar seus limites e
potencialidades, previme doenças secundárias (como a depressão), integra-os
socialmente, ocupá-los nas horas vagas,
conferir autonomia, independência e auto-confiança. Esses são alguns dos
efeitos da prática esportiva para o PNEE, sem a prática e o conhecimento acerca
do esporte eles podem marginalizar-se, considerar a prática perigosa e utópica.
Vários
fatores influenciam a prática esportiva dos PNEEs, como: oportunidades
oferecidas a eles, preferências esportivas, locais adequados, profissionais
capacitados, estímulo e apoio familiar.
A modalidade esportiva adaptada
orienta-se pela classificação funcional, o voleibol pode ser praticado por
lesados medulares (modalidade de voleibol sentado) e amputados (modalidade em
pé).
O voleibol: a sua história
O
voleibol foi criado em 1895 por William George Morgan na Associação Cristã de
Moços de Holioke, Massachussets.
O voleibol é um dos esportes de mão
mais complexo. Seus fundamentos possuem particularidades inatas ao movimento
humano como o toque particular na bola. Também é um esporte difícil de ser bem
jogado por possuir regras que limitam o número de passes, dimensões da quadra,
rotação obrigatória, tempo limitado por set, entre outros aspectos
procedimentais. O praticante de voleibol deve manter atenção constante na bola,
e nos jogadores, companheiros e adversários.
Voleibol para deficiente – Voleibol Sentado
Surgindo da combinação do Sitzball e do voleibol, o voleibol
sentado ganhou diversos adeptos, sendo um dos esportes mais praticados em
competições. Competidores de voleibol não deficientes, mas que apresentavam
lesões no tornozelo e no joelho, aderiram ao voleibol sentado.
As
regras do voleibol sentado apresentam diferenças das do voleibol, como: a
dimensão da quadra de jogo é de 10m X 6m; as linhas de ataque são desenhadas a
2m de distancia do eixo da linha central; a rede (faixa) em 6.50 a 7.00m de
comprimento e 0.80 de largura, a altura para homens é de 1.15m e 1.05 para
mulheres, as antenas estendem-se 100cm acima do bordo superior da rede;
jogadores no Voleibol Para-olímpicos podem usar calças compridas, não é
necessário números nos calções ou calças, não é permitido sentar sobre material
espesso; Uma equipe consiste de no máximo 12 jogadores incluindo de no máximo 2
jogadores classificados como “inabilidade mínima”(os seis jogadores em quadra
podem incluir no máximo um jogador com “inabilidade mínima”), um técnico, um
assistente técnico, um preparador físico, e um médico; As posições dos
jogadores em quadra são determinadas e controladas pelas posições dos seus
glúteos; é permitido tocar a quadra adversária com pé(s)/pernas desde que não
interfira na jogada do oponente; é permitido bloquear o saque adversário, desde
que a bola esteja completamente acima do topo da rede; o jogador deve ter
contato com a quadra com a parte do corpo entre o ombro e os glúteos ao tocar a
bola; O primeiro árbitro realiza suas funções de pé no solo no poste em uma das
extremidades da rede.
Integração através do esporte
Os
direitos humanos estipulam que todas as pessoas devem ter as mesmas
oportunidades de aprender e desenvolver suas capacidades, a fim de alcançar
independência social e econômica. O PNEE não é diferente ele apenas requer
adaptações para alcançar sua independência e autonomia. Eles possuem limitações
físicas que não atingem a sua totalidade. A inclusão é uma maneira da sociedade
aceitar a diferença entre esses corpos, ditos fora do “padrão”. Por ainda
existir chacotas pelos possuidores de corpos dentro dos “padrões”, muitos
deficientes sofrem efeitos mais severos nos aspectos sociais e psicológicos do
que sob sua incapacidade física.
Considerações finais
A
pessoa com deficiência apresenta dificuldades para realizar atividades
individuais ou sociais. A reabilitação trabalha o deficiente acerca dos
aspectos sociais, voltados para a melhora do reabilitado. A educação física
adaptada, presente na reabilitação, deve promover a auto-aceitação e confiança
do deficiente, desenvolvendo talentos que compensam sua incapacidade física.
Apreciação Crítica
A
reabilitação dos PNEEs deve acontecer nos aspectos físico, psíquico e social. O esporte contribui nessas melhoras,
atendendo amplamente e positivamente, isso porque, atende todos esses aspectos
simultaneamente.
Os
PNEEs praticantes esportivos melhoram a agilidade, coordenação motora, força, autoconfiança,
sintomas depressivos, entre outros aspectos que os PNEEs não conseguiriam com
tratamento medicamentoso ou sessões de terapia.
O
voleibol sentado é uma modalidade esportiva adaptada, oferece aos seus
praticantes possibilidades de movimentação, integração e vibração. O jogo de
voleibol sentado é tão prazeroso, que atletas ou pessoas com lesões de
tornozelo e joelho aderirão fielmente a modalidade, criada com o objetivo de
atender aos deficientes físicos.
O
esporte contribui para a inclusão do PNEEs na sociedade, entretanto, o respeito
as diferenças deveria ser compreendido e ofertado por todos, mais isso não
acontece por estarmos inseridos em uma sociedade que prega a aparência,
qualquer corpo fora dos “padrões” é repudiados. É preciso compreende que os
PNEEs possuem dificuldades e/ou aparências diferentes, mas quando aceitos podem
contribuir para a sociedade igualmente ou melhor que outras pessoas ditas
“normais”.

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