quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O voleibol sentado: uma reflexão bibliográfica e histórica



Apresentação

A realização de Exercícios Físicos e Esportivos é positiva para qualquer pessoa. Para os portadores de necessidades especiais (PNEEs), a prática esportiva é recomendada por contribuir na reabilitação, sob os aspectos físicos, psíquicos e sociais, os quais são interdependentes.
Com o desenvolvimento e aprimoramento da agilidade, coordenação motora e força, atividades do cotidiano serão realizadas de maneira mais autônoma, com isso, a esfera física e psíquica estarão sendo beneficiadas, o sujeito sentirá valorização do seu eu e, consequentemente, melhora na auto-estima, diminuindo a ideia de incapacidade.
Com o tempo a prática de diversas atividades físicas estão sendo aderidas pelos PNEEs, muitos optam por dedicar-se a um esporte específico. O voleibol tem sido um dos mais escolhidos, mesmo se tratando de um esporte complexo.

O esporte e a Educação: aspectos convergentes
           
Listello (1979), compreende a prática esportiva é um instrumento educacional, que desenvolve em seus praticantes competências técnicas, sociais e comunicativas. Tais competências são necessárias para o desenvolvimento individual e social.
            A educação presente no esporte coopera no desenvolvimento da ação do indivíduo, principalmente sobre o aspecto social; contribui para as atividades motoras cotidianas; melhora a saúde e o bem-estar; dá sentido a vida do praticante; melhora a mobilidade e oportuniza a recreação e o bem-estar estético.
            Dentro do processo educacional os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCNs (BRASIL, 1997), entendem que a Educação Física permite à inclusão, autonomia, cooperação e diversificação. Com o esporte, os cidadãos são formados conscientes e participativos, isso porque, dentro de esportes coletivos surgem situações e problemas que são resolvidos por todos, logo, compreende-se o esporte como um fenômeno sócio-cultural de caráter educativo.
            O esporte é flexível com seus praticantes, recebe praticantes de qualquer faixa etária, social, com diferentes objetivos, com deficiência ou não.

A história dos esportes adaptados
           
Antes do século XX não há relatos de esportes organizados para PNEEs. Foi com o fim da Segunda Guerra Mundial que os PNEEs começaram a ser respeitados pela sociedade, isso porque, os amputados de guerra eram considerados heróis em seus países. Antes disso o deficiente era um estorvo para a sociedade.
            O Dr. Ludwing Guttmann foi o primeiro a defender o esporte na reabilitação dos PNEEs, ele organizou programas de reabilitação no Centro de Reabilitação do Hospital de Stoke Mandeville, em 1944. O trabalho atuou co eficácia na reabilitação social e psicológica do PNEE. Esse foi o “ponta pé” inicial para o surgimento das Paraolimpíadas (em Roma, 1960), que acontecem até hoje após os Jogos Olímpicos. Os primeiros Jogos Panamericanos para Paraplégicos aconteceu em 1967.
            A participação dos PNEEs nos esportes e jogos adaptados possibilita a eles: amplos benefícios da prática regular, desafia-os a testar seus limites e potencialidades, previme doenças secundárias (como a depressão), integra-os socialmente, ocupá-los nas horas vagas,  conferir autonomia, independência e auto-confiança. Esses são alguns dos efeitos da prática esportiva para o PNEE, sem a prática e o conhecimento acerca do esporte eles podem marginalizar-se, considerar a prática perigosa e utópica.
            Vários fatores influenciam a prática esportiva dos PNEEs, como: oportunidades oferecidas a eles, preferências esportivas, locais adequados, profissionais capacitados, estímulo e apoio familiar.
A modalidade esportiva adaptada orienta-se pela classificação funcional, o voleibol pode ser praticado por lesados medulares (modalidade de voleibol sentado) e amputados (modalidade em pé).

O voleibol: a sua história

            O voleibol foi criado em 1895 por William George Morgan na Associação Cristã de Moços        de Holioke, Massachussets.
O voleibol é um dos esportes de mão mais complexo. Seus fundamentos possuem particularidades inatas ao movimento humano como o toque particular na bola. Também é um esporte difícil de ser bem jogado por possuir regras que limitam o número de passes, dimensões da quadra, rotação obrigatória, tempo limitado por set, entre outros aspectos procedimentais. O praticante de voleibol deve manter atenção constante na bola, e nos jogadores, companheiros e adversários.

Voleibol para deficiente – Voleibol Sentado
           
Surgindo da combinação do Sitzball e do voleibol, o voleibol sentado ganhou diversos adeptos, sendo um dos esportes mais praticados em competições. Competidores de voleibol não deficientes, mas que apresentavam lesões no tornozelo e no joelho, aderiram ao voleibol sentado.
            As regras do voleibol sentado apresentam diferenças das do voleibol, como: a dimensão da quadra de jogo é de 10m X 6m; as linhas de ataque são desenhadas a 2m de distancia do eixo da linha central; a rede (faixa) em 6.50 a 7.00m de comprimento e 0.80 de largura, a altura para homens é de 1.15m e 1.05 para mulheres, as antenas estendem-se 100cm acima do bordo superior da rede; jogadores no Voleibol Para-olímpicos podem usar calças compridas, não é necessário números nos calções ou calças, não é permitido sentar sobre material espesso; Uma equipe consiste de no máximo 12 jogadores incluindo de no máximo 2 jogadores classificados como “inabilidade mínima”(os seis jogadores em quadra podem incluir no máximo um jogador com “inabilidade mínima”), um técnico, um assistente técnico, um preparador físico, e um médico; As posições dos jogadores em quadra são determinadas e controladas pelas posições dos seus glúteos; é permitido tocar a quadra adversária com pé(s)/pernas desde que não interfira na jogada do oponente; é permitido bloquear o saque adversário, desde que a bola esteja completamente acima do topo da rede; o jogador deve ter contato com a quadra com a parte do corpo entre o ombro e os glúteos ao tocar a bola; O primeiro árbitro realiza suas funções de pé no solo no poste em uma das extremidades da rede.

Integração através do esporte

            Os direitos humanos estipulam que todas as pessoas devem ter as mesmas oportunidades de aprender e desenvolver suas capacidades, a fim de alcançar independência social e econômica. O PNEE não é diferente ele apenas requer adaptações para alcançar sua independência e autonomia. Eles possuem limitações físicas que não atingem a sua totalidade. A inclusão é uma maneira da sociedade aceitar a diferença entre esses corpos, ditos fora do “padrão”. Por ainda existir chacotas pelos possuidores de corpos dentro dos “padrões”, muitos deficientes sofrem efeitos mais severos nos aspectos sociais e psicológicos do que sob sua incapacidade física.

Considerações finais
           
            A pessoa com deficiência apresenta dificuldades para realizar atividades individuais ou sociais. A reabilitação trabalha o deficiente acerca dos aspectos sociais, voltados para a melhora do reabilitado. A educação física adaptada, presente na reabilitação, deve promover a auto-aceitação e confiança do deficiente, desenvolvendo talentos que compensam sua incapacidade física.

Apreciação Crítica

            A reabilitação dos PNEEs deve acontecer nos aspectos físico, psíquico e  social. O esporte contribui nessas melhoras, atendendo amplamente e positivamente, isso porque, atende todos esses aspectos simultaneamente.
            Os PNEEs praticantes esportivos melhoram a agilidade, coordenação motora, força, autoconfiança, sintomas depressivos, entre outros aspectos que os PNEEs não conseguiriam com tratamento medicamentoso ou sessões de terapia.
            O voleibol sentado é uma modalidade esportiva adaptada, oferece aos seus praticantes possibilidades de movimentação, integração e vibração. O jogo de voleibol sentado é tão prazeroso, que atletas ou pessoas com lesões de tornozelo e joelho aderirão fielmente a modalidade, criada com o objetivo de atender aos deficientes físicos.
            O esporte contribui para a inclusão do PNEEs na sociedade, entretanto, o respeito as diferenças deveria ser compreendido e ofertado por todos, mais isso não acontece por estarmos inseridos em uma sociedade que prega a aparência, qualquer corpo fora dos “padrões” é repudiados. É preciso compreende que os PNEEs possuem dificuldades e/ou aparências diferentes, mas quando aceitos podem contribuir para a sociedade igualmente ou melhor que outras pessoas ditas “normais”.
O termo PNEES não é o melhor a ser utilizado, fazemos menção desse termo devido o texto referir-se assim.

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